O regresso que não podia esperar Afonso sempre contava aos amigos que, por mais longe que fosse, o coração dele tinha a medida exata da sua terra: Mapai, uma aldeia onde o calor do mês de dezembro cheirava a mandioca assada e conversa até tarde. Foi por isso que, quando aceitou um trabalho temporário na África do Sul para juntar algum dinheiro, fez questão de avisar: “Volto no Natal. Quero ver a casa, sentir o chão da minha terra.” Os meses na cidade grande foram duros — turnos longos numa oficina, quartos apertados, e saudades que vinham à noite. Afonso poupou cada moeda; mandava parte para a mãe e guardava o resto num envelope dentro de um livro. Mas, ao chegar novembro, algo mudou na família: o irmão mais novo ficou doente e a mãe escreveu uma carta pedindo que ele voltasse. Era impossível dizer que não. Quando disse ao patrão que tinha de regressar, este respondeu com frieza: “Agora não é altura. Temos falta de pessoal. Se saíres, não terás lugar quando voltares.” Afonso sent...