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ÚLTIMO DESEJO DE ROSITA

 








TRAGÉDIA, SONHO E ABANDONO: O ÚLTIMO DESEJO DE ROSITA, A MENINA QUE NASCEU NUMA ÁRVORE E QUERIA SALVAR VIDAS

Por trás de uma história que parece saída de um filme, esconde-se uma dura realidade social que volta a expor as feridas profundas do país. A mãe de Rosita, a menina que ficou conhecida nacionalmente por ter nascido em cima de uma árvore, decidiu quebrar o silêncio e revelar um detalhe comovente e revoltante: antes de perder a vida, Rosita sonhava em ser médica.

Segundo a mãe, Rosita teve um sonho marcante poucos dias antes da sua morte. No sonho, ela vestia uma bata branca, caminhava por um hospital e cuidava de pessoas doentes. “Ela acordou feliz e disse-me: mamã, eu quero ser médica para ajudar quem sofre como nós sofremos”, contou, entre lágrimas.

🌳 UMA VIDA MARCADA DESDE O NASCIMENTO

Rosita nasceu no ano 2000, em circunstâncias extremas e chocantes: em cima de uma árvore, num momento de desespero da mãe, sem assistência médica, sem hospital, sem Estado. Desde o primeiro suspiro, sua vida já denunciava o abandono social, a pobreza extrema e a falência dos serviços básicos nas comunidades mais esquecidas.

Mesmo assim, Rosita cresceu com sonhos grandes demais para a realidade dura que a cercava. Enfrentou doenças constantes, dificuldades na escola e uma vida marcada por sofrimento, mas nunca deixou de acreditar que o estudo poderia ser a sua salvação.

🩺 O SONHO DE SER MÉDICA: ESPERANÇA NUM PAÍS QUE FALHA

O desejo de Rosita não era apenas pessoal. Queria ser médica para que outras crianças não passassem pelo que ela passou. Queria salvar vidas num país onde muitos morrem por falta de cuidados básicos, enquanto discursos políticos prometem hospitais modernos que nunca chegam às aldeias.

A mãe questiona, com voz firme e dolorosa:

“Se o Governo soube da história dela quando nasceu, por que não garantiu acompanhamento médico, educação digna e proteção? Por que só aparecem quando a tragédia acontece?”

⚠️ MORTE QUE LEVANTA QUESTÕES POLÍTICAS

A morte de Rosita reacendeu um debate perigoso e inevitável: quantas Rositas ainda existem em Moçambique? Quantas crianças com talento, sonhos e vontade de servir à sociedade estão a morrer lentamente por negligência do sistema?

Analistas sociais afirmam que o caso Rosita não é isolado, mas sim o reflexo de um país onde a propaganda política muitas vezes fala mais alto do que as ações concretas. Enquanto se anunciam projetos milionários, crianças continuam a nascer em árvores, a morrer sem médicos e a sonhar com um futuro que nunca chega.

🕯️ UM SONHO QUE MORREU, UMA ACUSAÇÃO QUE FICA

Rosita partiu sem realizar o sonho de ser médica. Mas a sua história transformou-se numa acusação viva contra a desigualdade, o abandono e a indiferença institucional. O sonho que ela teve antes de morrer tornou-se agora um símbolo: o sonho de um país onde nascer pobre não seja uma sentença de morte.

A pergunta que fica no ar é dura, direta e provocadora:

Se Rosita tivesse nascido noutro lugar, estaria hoje viva a estudar medicina?

📌 A história de Rosita não pode ser apenas mais uma notícia esquecida. É um espelho da nação — e um alerta que o poder não pode continuar a ignorar.

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